Quanto tempo precisa passar para que aceitemos que nem todos que carregam um santo rezam uma oração decorada?

Desde criança fui muito religiosa, católica fervorosa, catequizanda, catequista, intencionei entrar para um convento, participei de grupos de jovens da igreja, fiz cursos bíblicos e isso tudo me fez entender uma coisa: Que a fé é o que ela é, não o que pregam. Por isso quando muitos se espantam por eu deixar de ser essa garota eu dou risada, porque a minha fé é a mesma, ela só não é como pregam.
Esse sex shop não se chama Santíssima.X à toa, ele carrega uma história, sou devota de Santa Bibiana, essa que carrega o mesmo nome que eu e mostrou que devemos ter força e lutar pelo que acreditamos: Eu acredito na saúde mental, física e sexual, na liberdade de sentirmos tudo que pudermos e quisermos sentir sem as amarras sociais nos prendendo. Por consequência é a partir de quem eu sou, e dos produtos sensuais e eróticos que eu começo essa luta.
A revolta de todas as santas:
Sou uma mulher bissexual, não-monogâmica, com tatuagens e piercings. Apaixonada BDSM e por saber mais sobre fetiches, que adora estudar e falar sobre sexo e sexualidade. Por mais que ser essa descrição pareça ser o oposto do que já preguei religiosamente, sou o que sempre fui e sempre quis ser: Livre.
Eu tenho e sou essa liberdade que chamo de “Revolta de todas as santas”, sou uma das mulheres podadas. Que tentaram agradar quem as cerca a todo custo (com isso custando saúde mental, física, sexual, e muito prazer). E que hoje sabem que devem agradar primeiro a si, porque o outro sempre vai cobrar demais da gente.
De quem é essa revolta?
A revolta de todas as santas não é só minha, ela esteve presente na minha vida desde sempre. Através de colegas de ensino médio vindo pedir conselhos nos seus primeiros relacionamento e nas mais plurais descobertas. Das suas sexualidades, na descoberta do corpo, tentando tirar todas as dúvidas sobre o que acontecia com elas.
Como boa curiosa sempre busquei entender tudo que em intrigava, nunca tive medo de falar, nem o desejo segundo de julgar. Do meu jeito eu iniciava minha própria revolta, da santa, que já fui socialmente. E deixava de ser por exercer minha fé no deus da liberdade, e não no deus que me ensinaram a venerar.
Parei de rezar uma oração decorada, seguir vagando em busca de um Deus distorcido pelos olhos dos outros. Hoje eu “carrego meu santo”, mas rezo minha própria oração. A dualidade que temos da mulher que não é santa ser vista como puta me intriga.
Santa Bibiana foi chamada e feita de puta por não abrir mão de sua fé e, por essa razão, foi santificada. Ela nos ensinou a eu também afirmo: podem me chamar de puta, mas eu continuarei sendo a santa que leva a fé em que acredito até o fim: Nessa minha fé na liberdade feminina, masculina, agênero, sexual. Quando eu falar dela e zombarem de mim dizendo que “quero pagar de santa” ou que vem aí a “Santa Bibiana” eu vou dizer: “Por favor, é Santíssima Bibiana para você!”.